sexta-feira, 9 de maio de 2008

BIG BLACK BANG

BIG BLACK BANG!

Eis que os anos setenta apresentaram um Big Black Bang de personagens negros para os quadrinhos. Mesmo que esses personagens ainda não alcançassem a fama que muitos personagens brancos de antes, só o fato de boa parte deles possuir revistas próprias no mercado editorial americano já prova que não eram tão inexpressivos. Se dividirmos os leitores de quadrinhos dos expectadores externos, que limitam-se a poucas imagens e figuras de desenhos e filmes, os primeiros perceberão a pergunta sobre a presença negra nos quadrinhos como muito mais firme.

A Marvel deleitou-se diante dessas criações de personagens, seja num ambiente nova-iorquino, seja numa África ficcional. A empresa rival, a DC Comics, não poderia ficar de fora dessa nova expressão cultural que lavou como maré as décadas de 70 e 80. Logo a DC investiria timidamente coma criação de Vykin, na revista Forever People, de 1971. A quantidade, a partir de então, é enorme, por mais que alguns críticos preguiçosos de adentra à pesquisa aos documentos quadrinhos. As fortes manifestações e ações afirmativas do período 60-70 abriu uma fase cultural que valorizou o negro no cinema e nos quadrinhos. Seriados americanos cooptavam personagens negros da mesma maneiras que revistas em quadrinhos faziam, acrescentando uma singela quantidade de personagens em grandes grupos de super-seres.


O Lanterna Verde, personagem da DC Comics, mais conhecido como Hal Jordan, homem caucasiano, fazendo parte da Tropa dos Lanternas Verdes, precisa encontrar um substituto para usar o anel cósmico. Sua escolha é John Stewart, arquiteto desempregado, homem negro. Como teste, John deveria proteger um político racista, mostrando os choques do período. John não só o protege com honradez como descobre que tudo não passava de um plano feito pelo próprio político para incriminar a comunidade negra. Os criadores do personagem disseram numa entrevista que a criação de John seguia mais uma lógica racional do que uma política liberal, por que a diversidade etnica no mundo e a maior probabilidade fariam Jordan encontrar um negro.

Primeiro acerto da DC, John ficaria um bom tempo, infelizmente, como personagem secundário. Mas isso não cessou a criação de novos personagens nos anos 80. A revista estava estreando, era a New Teen Titans número 1, de 1980. Silas Stone é um cientista que está trabalhando com manipulações extradimensionais, quando um acidente mutila seu próprio filho, Victor Stone. Com partes do corpo separadas e algumas até mesmo destruídas, Silas vê-se obrigado a salvar o próprio filho acrescentendo á ele partes cibernéticas, robóticas, que o transformam em Cyborg, o sofrido herói que ganhou o gosto popular rapidamente. Não há como falar sobre a série Novos Titãs, por toda a década de 80, a década de 90 e até mesmo hoje, sem falar de Cyborg. Mais um ponto pra DC.

Cyborg e o Lanterna Verde John Stewart abrilhatariam as animações da Liga da Justiça e dos Novos Titãs no fim dos anos 90. A atual série de animação da Liga da Justiça (Liga da Justiça Sem Limites) tem uma forte participação de John, mostrando a prosperidade do personagem atualmente.

Os anos noventa pode ser compreendido como “a segunda onda” não só de liberdade étnica dos personagens, mas também editorial. As editoras novas que entravam no disputadíssimo mercado anteriormente dominado pela bipolaridade entre DC e Marvel, agora estava pluralizado. A Image Comics estreiou com Spawn, consagrando personagem e autor como nunca. Spawn é a reencarnação demoníaca de Al Simmons, soldado americano negro morto por traição e que volta á terra para vingar-se e proteger sua familia. Sucesso total. Mas o mais emblemático, pelo menos no ponto de vista da luta pela afirmação étnica, é o surgimento de uma editora só de personagens negros (ou melhor, com um número muito maior de negros nas suas histórias), a Milestone Media. A editora pesou também uma expressiva quantidade de super-heroínas negras.

A morte do Super-homem traria uma rede de intrigas e aparições de personagens que só uma estratégia de vendas bem sucedidas poderia trazer. Dessa forma, surge John Henry Irons, engenheiro mecatrônico que na ausência do protetor de metrópolis veste uma armadura e segurando uma marreta usa o codinome de Homem de Aço. Suas histórias envolviam tráfico de drogas e venda ilegal de armas nos subúrbios norte-americanos. O personagem passou um tempo esquecido, mas retornou com glória em 2006 em eventos especiais.

Atualmente nós estamos vendo mais um super-herói negro surgir sutilmente nos cinemas. Seu nome é James Rhodes. Amigo íntimo de Tony Stark, Rhodes assistiu a decadência do mesmo à bebida. As empresas de Stark quase faliram e seu papel como Homem de Ferra estava insustentável com o alcoolismo. Foi então que por um bom espaço de tempo, Rhodes foi o Homem de Ferro, mostrando sua identidade muitas edições depois. O personagem hoje é conhecido como Máquina de Combate e
utiliza uma versão mais belicista da armadura do Homem de Ferro. Se o presente leitor for ao cinema, percebe a troca de olhares de Rhodes com a armadura cinza que aparece... vamos torcer pra ele vestir!

Falta fôlego para acompanhar essa nova leva de personagens, considerando que estamos evitando falar de velhos amigos, como Pantera Negra e Tempestade, que continuam firmes e fortes até hoje. A medida que o tempo vai passando esses personagens vão enfrentando situações que são representações do que acontece no mundo. Enfrentam racismos em vários graus, que podem surgir de seus editores (quando não lançavam personagens negros) e de seus leitores (quando não os liam).

Lista essa quantidades de personagens é importante para mostrar o quão complexa é a realidade dentro das páginas dos quadrinhos, durante os anos que se passaram. Que é preciso ler para se tirar conclusões, é preciso conhecer mais aquilo que irá opinar ou construir idéias. Uma vez me perguntaram se existiam personagens negros nos quadrinhos por que só viam os brancos. Acho que o problema está aí, só viam os brancos. Eu vejo todos os meus amigos: negros, brancos, mestiços, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais. E esses amigos de “mentirinha” são reflexos de nossa sociedade.

Quem disse que não existem Super-Heróis negros?

(agradecimento silencioso à Cláudio Roberto Basílio)

(Artigo produzido para o Jornal Profusão de Idéias número 3)

IANSÃ dos QUADRINHOS


Iansã dos Quadrinhos



____Continuando a saga dos super-heróis negros nos quadrinhos norte-americanos, assim como os anos 60 (ou pelo menos uma dada parcela dele) foi o período modificador de conceitos, um estopim, os anos 70 serviu como palco de nascimento e atuação desses tantos personagens. Era um incêndio que não poderia ser contido e que expressava o que estava mudando no mundo, até então.

____Tornou-se significativa a presença de homens e mulheres negros nos formados grupos de super-sujeitos que fecundaram nos anos 70. Tanto a Liga da Justiça (da editora DC comics) quanto os Vingadores (da editora Marvel comics) apresentariam um significativo, porém não tão expressivo, número de personagens negros, como Raio Negro. A contracultura e toda a luta ideológica de liberdade que tomava o terreno dos Estados Unidos de então serviu de trampolim para as mudanças temáticas e visuais de alguns personagens. Logo, por exemplo, o Capitão América estaria trocando o seu companheiro mirim dos anos 40, o Bucky, por uma amizade com um super-herói negro oriundo do bairro suburbano do Harlem, em Nova York: O Falcão. Essa parceria demonstrou ser saudável em diversas frentes, até mesmo na melhora conceitual do próprio Capitão América.

____O Harlem também seria berço de outro personagem importante para os Quadrinhos: Luke Cage. Diferente do Falcão, Luke Cage teria um início de carreira vinculado ao crime para logo em seguida enfrentar criminosos na grande maçã. Porém, Luke não seria mais um bom samaritano negro a fazer parte do panteão de heróis, e sim, seria um “super-herói de aluguel”, ganhando a vida com proteção e enfrentando vilões, tudo isso em sua primeira aparição em Hero for Hire 1 de 1972. outro que negaria essa tendência tradicional de bons mocinhos seria o Blade, caçador sem piedade de vampiros e outras bizarrices sobrenaturais em plenos 1973, e que está tão ativo quanto o Luke até os dias atuais.

____Mais importante que listar bons personagens (que existem até hoje nos quadrinhos e resistem às vendagens menores que outros personagens brancos ou orientais) é apresentar o quanto que

essas mudanças se deram na mitologia dos Quadrinhos, principalmente quando isso serviu de liberdade à grilhões racista, e, neste caso, machistas. Falemos da lider dos X-men, Ororo Munroe, muito mais conhecida pela alcunha de Tempestade.

____Sua origem se encontra, na verdade, anterior à sua primeira aparição nos quadrinhos, em Giant Size X-men 1, de 1975. Seu criador, Dave Cockrum, trabalhava para a rival da Marvel Comics, a DC comics. Nesta outra editora, revolucionou o visual dos personagens da equipe Legião dos Super-Herois, o que lhe rendeu tamanho prestígio que os editores encomendaram uma leva de novos personagens, nascendo a idéia de “Outsiders”, um grupo que beirava a psicodelia característica dos anos 70, com cores e efeitos. Entretanto, os editores acharam esses novos personagens pitorescos demais e recusaram o projeto, que, posteriormente, quando Cockrum foi para a Marvel comics, encontrou um novo espaço para aproveita-los.

____Nessa leva estava o Noturno e a Tempestade, personagens que logo fariam parte do Panteão de grandes heróis da Marvel. Tempestade tem um destaque importante no seu visual. Primeiramente ela possuia um vasto “black power” e poderes totalmente diferentes. Pode-se dizer que nem era a mesma personagem. Somente nos X-men ela ganhou seus poderes que nos fariam, baianos, chama-la de Iansã dos Quadrinhos, e um visual ainda mais emblemático. Ela quebrou com correntes demais num nascimento só: É uma personagem negra; é mulher; é lider de um dos maiores grupos de super-heróis das décadas seguintes.

____Ororo demonstrou ser muito além de uma simples heroína de quadrinhos, sendo também uma vanguardista de bandeiras diversas à favor da igualdade racial e de sexo. Atualmente ela casou-se com Tchalla, o Pantera Negra, e juntos além de ocuparem seus papéis de super-heróis, são também representantes de um governo peculiar... Mas isso é uma outra História! Continua no próximo capítulo!

(Agradecimento especial à Carol Suzart pela reflexão sobre Iansã. Agradecimento à Oiá.)

Sávio Roz



(Artigo produzido para o Jornal Profusão de Idéias (Salvador - Bahia) - Segunda Edição - março de 2008)

sábado, 1 de março de 2008

HULK NASCE NO ESCURO

HULK NASCE!

____A sua infância inteira Bruce Banner vivenciou violência suficiente para tornar sua raiva e seu sofrimento reprimidos. Assistiu sua mãe ser espancada durante anos por um pai alcoólatra e agressivo. O desfecho ajudou ainda mais a ira de Banner ser reprimida, quando este viu a morte de sua mãe nas mãos do próprio pai. Criado por outros parentes, Bruce direcionou sua natureza isolada para as ciências, em particularidade a física nuclear. A origem do HULK está mergulhada numa pequena poça de tragédia grega.

____Efetivada em fuga, sua vida como cientista lhe concedeu o patamar de gênio e, logo que se formou, rapidamente ganhou destaque no meio e foi trabalhar no Departamento do Defesa dos Estados Unidos. Mesmo muito jovem, ganhou um renome de importância e logo estava pesquisando e criando a primeira bomba atômica de radiação gama. O Doutor Bruce Banner arquitetou seu próprio destino sem saber, quando, trabalhando nessa arma para o General Thaddeus "Thunderbolt" Ross, testes eram feitos sob sua supervisão no Novo México, numa base secreta no deserto.

____Num dos testes um garoto atravessou a área de segurança ficando, com seu jipe, num espaço perigosíssimo, minutos antes da contagem. Banner ordenou que a contagem fosse zerada e num veículo militar, abordou o garoto. Os militares não sabiam, mas um dos cientistas presentes no experimento era um espião Russo que tinha como missão roubar os planos do Doutor Banner. Esse espião, Emil Blonsky, por inveja dos talentos científicos de Banner, resolveu dar continuação à contagem de explosão. Foi tempo suficiente para que Bruce jogasse o garoto que invadiu o campo de testes, Rick Jones, salvando-o. Porém, a bomba explode antes que Banner possa proteger-se na mesma trincheira que Rick Jones via-se protegido. A radiação atinge Bruce que perde a consciência e é levado para o centro hospitalar da base.

____Emil Blonsky rouba os planos do Doutor Banner e foge sorrateiramente da área de testes. Na enfermaria, Bruce é avaliado e milagrosamente a radiação parece ter perdido efeito, deixando o cientista ileso. Como sentia-se parte culpado da situação, Rick Jones acompanhou os primeiros dias do Doutor Bruce Banner após a explosão, até mesmo quando esse tornava-se o HULK! O HULK seria a expurgação de todos os sentimentos reprimidos de Bruce Banner. Esses sentimentos enclausurados criaram uma personalidade oculta que não só surgiu após a explosão de radiação como foi o poder por trás de sua misteriosa sobrevivência. O HULK salvou Banner da morte certa, mas abriu espaço para sua nova vida de sofrimento e perseguição.

____Logo a ira verde tomaria conta da base militar e seria alvo da perseguição incansável do General Thunderbolts, para desespero de sua filha, Betty Ross, que , apaixonada pelo Doutor Banner, dividia penosamente seu sofrimento. Perseguido, o HULK fica mais irado. Mais irado, o HULK fica mais forte. E caminhando sobre a terra, fugindo de seus algozes, o HULK destrói tudo que vê pela frente, numa incessante busca por uma paz perdida. Sua aparição chama atenção de forças ainda mais perigosas, seres fantásticos e monstros medonhos. Emil Blonsky, utilizando-se dos planos secretos de Banner, irradiasse com radiação gama e transforma seu corpo humano numa gigantesca massa de escamas rochosas e verdes, tornando-se o inimigo que o HULK chamará de ABOMINÁVEL. A perseguição ao HULK ganhou um novo estágio quando a sua identidade a tanto guardada em segredo, foi a público.

____Com o passar do tempo, Bruce Banner experimentou diversas tentativas de cura para seu horrendo mal. A sua vida tornou-se uma interminável fuga de governos, heróis e vilões. Uma força tão poderosa o habitava que todas as suas tentativas de suicídio forma frustradas pela vontade de viver do HULK. Esse Frankenstein moderno e seu franzino alter ego viveram aventuras fantásticas junto a outros heróis ou contra eles. Só recentemente Bruce Banner conseguiu meios psicológicos para controlar o HULK e usa-lo quando fosse necessário. Mas os momentos de raiva descontrolada jamais permitirão que o sofrido Bruce viva em paz numa terra que não conhece a paz.

____Sua primeira aparição, The Incredible Hulk, de1962, apresentava a modernização de Frankenstein de Mary Shelley com "O Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson. Claro que tudo bem posicionado, numa América do Norte amedrontada pela paranóia da radiação, da bomba radioativa. Num período de Guerra Fria onde o sabotador Russo pode desencadear desgraças imprescindíveis. O HULK é criação de Stan Lee e Jack Kirby e faz aniversário em maio.

____O personagem expressa inegavelmente o medo da sociedade urbana dos efeitos desconhecidos do poder nuclear, outrora já abusivamente utilizado na literatura de PULP, agora somava-se ao constante perigo de uma Guerra Nuclear entre as duas polarizadas potênciais mundiais: Os Estados Unidos e a União Soviética. O HULK pode contar essa História de um ponto de vista muito peculiar: A História nos Quadrinhos.


ps: Breve farei um melhor apanhado da História da Guerra Fria através dos Quadrinhos. Esperem mais HULK nas próximas edições...


SR

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Consciência de PANTERA

O Pantera Negra


A primeira imagem que Wakanda tinha, no ano de 1966, era de uma comum cidade-reino de uma civilização africana. Wakanda amarrava em si elementos visuais que impossibilitavam definir-lhe ao certo a cultura, parecia mais um grande centro simbólico de tudo que o homem branco da Europa e dos Estados Unidos do norte entendiam de África.


É uma cidade fictícia existente no universo Marvel. Sua primeira “aparição” se dá na mesma edição de surgimento do personagem emblemático que nela habita: O Pantera Negra. Essa edição foi a Fantastic Four número 52, de julho de 1966. Da mesma maneira que era fácil

retratar as cidades norte-americanas nos quadrinhos da Marvel (como expressa o uso tranqüilo de Nova York) o inverso se percebe quando é de se tratar outras nações, talvez pelo simples fato de que era melhor falar de si mesmo e representar o outro com generalização.


A Marvel inventou nações na África para posicionar suas aventuras e personagens sem ter que se envolver em questões históricas e políticas que exigiriam uma maior reflexão. Pela simplicidade, optaram pela criatividade e criaram reinos como Azania, Narobia, Halwan e Murkatesh. Wakanda é a mais marcantes dessas cidades-reino pelo fato de abrigar o mais forte personagem africano até então.
O Pantera Negra não foi o primeiro personagem dos quadrinhos negro, nem mesmo se nos limitarmos ao gênero super-herói. Quando a Marvel ainda não era a Marvel, a revista “Jungle Tales” exibia Waku, Prince of the Bantu, como estrela. Mas, longe do ideal, esse personagem só mantinha a maneira que os africanos eram representados nos quadrinhos e anteriormente nas obras literárias infanto-juvenil. O tolo selvagem.


A imagem vai se modificar timidamente com a criação do Pantera Negra, por que então terá num super-herói seu subir de degrau. O Pantera Negra é um título de nobreza do reino de Wakanda. Era preciso que o rei (ou qualquer representante da família real) conquistasse esse título através de tarefas específicas. Esse título expressa a idéia de que a sociedade de Wakanda segue uma religiosidade totêmica, onde é a Pantera Negra o símbolo máximo do povo wakandano.


Para enriquecer a mitologia do quadrinho do Pantera Negra, os seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby, marcaram Wakanda como um território que, milênios antes, havia sido palco da queda de um meteorito contendo o valiosíssimo metal que seria conhecido como Vibranium (o que posteriormente justificaria o poder material do escudo do Capitão América), metal fictício no universo Marvel.


Com a invasão do reino de Wakanda por exploradores em busca das minas desse metal raro, Tchalla, o Pantera Negra “oficial” (já que ao longo de aproximadamente 10 mil anos, vários guerreiros ostentaram o título), buscou ajuda do Quarteto Fantástico para proteger sua sociedade. Isso aconteceu após Tchalla ter passado um período nos Estados Unidos, numa universidade, estudando. Bem, esse era o personagem em 1966.
Porém, com o passar dos anos, elementos encontrados na mitologia do personagem conflitavam com os estudos étnicos sobre os povos africanos, mostrando o quanto que o personagem estava embrenhado de pré-conceitos e visões de inferioridade para com essas sociedades. Logo se fez necessário mudanças.


Recentemente o personagem passou por uma releitura, ou melhor, uma reescrita, acrescentando em seu currículo elementos novos e posicionamentos que diferenciam bastante do que se assistia em 1966. O Pantera atual (reformulado desde os anos 80, mas condensado na série Marvel Knight de 1998 e mais recentemente no retorno de seu título solo em 2005) nunca estudou nos Estados Unidos como impossibilidade de encontrar qualidade educacional em sua nação, muito pelo contrário, agora ele apresentava avanços tecnológicos vindos de centros de estudos em Wakanda. A própria cidade tornou-se uma jóia a ser cobiçada não só pelo metal como também pelo conhecimento de seus cientistas.


O Pantera alcançou mais um patamar nessa escalada pelo respeito e pela dignidade. Ainda não é o ideal, mas é olhando para o tanto que foi subido é que se entende o valor de onde se está. Tchalla continua enfrentando dificuldades dentro e fora dos quadrinhos, sejam com vilões que ainda se vestem como conquistadores do século 19, seja com a popularidade baixa do personagem em comparação com outros pesos pesados dos Quadrinhos.


Um fato interessante, que pode muito bem ser entendido como representação do que estava acontecendo nos Estados Unidos mesmo antes de sua oficialização (sejam nas conversas populares, sejam em eventos reprimidos), é a relação do Pantera Negra com o movimentos dos Panteras Negras (Black Panther party). Ideologicamente, tirando o fato de serem símbolos de negritude, o super-herói e o movimento só tiveram o nome em comum. O personagem foi lançado na revista supracitada em julho de 1966, enquanto o movimento foi oficialmente fundado em outubro de 1966. Parece que Tchalla expressou primeiro esse movimento social, pelo menos simbolicamente, mostrando que movimentos sociais existem antes mesmo de suas convenções formais de nascimento.


O movimento dos Panteras Negras enfrentou conflitos com a polícia, muitos acabavam em mortes para ambos os lados, e logo seu radicalismo tornou-se rachadura para sua desfragmentação. Infelizmente, nos últimos anos de sua formação enquanto partido político, com ações comunitárias e educacionais, sua força sofreu queda e para alguns, o partido dos Panteras Negras acabou em meados dos anos 80.


Voltando para os quadrinhos, estamos acostumados a ver personagens nascerem e morrerem. Revistas serem lançadas por alguns anos, passar outros tantos desaparecidas, e logo serem relançadas com novas abordagens. Tchalla consegue dar uma sugestão para releitura, quando retorna após tantos anos e se mantém, desde os anos 60, como um personagem aberto a melhoras. Assim como estrelou primeiro, como título, pode ser que tenha trilhado um caminho que o Partido dos Panteras Negras tentou nos anos 80, quando se organizou enquanto partido político.


Ou quem sabe, isso já venha ocorrendo, mas desprendido de títulos totêmicos, como o crescente número de partidos e movimentos negros em todo o mundo ocidental. Wakanda ficou longe das bancas e Tchalla quase se aposentou, mas logo o mercado abriu espaço para o personagem e sua mitologia reformulada. O partido dos Panteras Negras pode estar passando por esse mesmo período de repensar para retornar, deixando seu passado radical e revendo o que os anos lhe lapidaram.
Vida longa aos Panteras Negras! (Mas sem radicalismos!)


Excelsior,
Sávio Roz

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Ninguém Conhece o Capitão América

Capitão América

É extremamente doloroso perceber o quanto que o mundo dito acadêmico está enraizado na tendência pré-conceituosa daquilo que, bastante praticado pelos pseudo-cientistas, chamaremos de “achismo”. Tudo que é visto superficialmente e que pouco teve como se defender dessa tradição preguiçosa desses falsos pesquisadores por um longo tempo tiveram suas rotulações aceitas. Um desses elementos é o Quadrinho, sempre tratado com o “achismo” de “instrumento de manipulação de massa”, mas o alvo desse texto é o sempre mal interpretado Capitão América.

Já sinto os pseudo-cientistas inquietos. Não é por menos. Na sua criação, em 1941, para a editora Timely Comics (futuramente chamada de Marvel), o Capitão América foi idealizado como um herói nacional para antagonizar com Hitler, propagando o posicionamento dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Até então esse “achismo” infantil tem fundamento, sua própria origem diz isso. A Guerra funcionou perfeitamente para o personagem, não o contrário, como muitos “achistas” definiriam. Não foi o Capitão América que ganhou a guerra para o povo americano, ele só fez a representação nos quadrinhos do que os Estados Unidos pensava a respeito da guerra.

Mas o personagem, com essa primeira concepção, não durou muito tempo, ficando em bancas por poucos anos. A guerra acabou e o personagem perdeu seu papel no teatro todo. Foi somente nos anos 60, após o “exílio editorial”, que a Marvel (não mais Timely Comics) resolveu trazer essa figura de volta. Porém, aquela maneira tranqüila e o antagonismo simples contra os nazistas não funcionou da mesma maneira contra os comunistas (presentes nessa nova leva de histórias). Era visível, nessa época, a liberdade reflexiva do personagem, pois foi quando o quadrinho introduziu com maestria o balão de pensamento, onde o personagem expressava seu anacronismo e o quanto que as coisas não eram mais tão simples entre vilões e heróis.

Após uma melancólica fase onde o herói pensava exaustivamente sobre seu papel nesse novo mundo (o período em que ficou fora das bancas, no fim dos anos 40 até os anos 60 foi definido como o período em que o personagem ficou congelado por um ato de vilania sendo ressuscitado pelos novos heróis, os Vingadores), o Capitão América enfrentou mais uma situação difícil: A Marvel introduziu em suas revistas, pela primeira vez, um evento político real, o Impeachment do presidente Richard Nixon. Foi então que o Capitão América perdeu toda a credibilidade que tinha nos Estados Unidos. Largou o uniforme azul, vermelho e branco e começou a rodar, com a identidade de Nômade, por todo o oeste americano assistindo problemas e misérias do povo. Novamente utilizando o uniforme tradicional (a bandeira), o Capitão América viu, na segunda metade dos anos 70, uma Nov York cheia de problemas sociais. Com sua mentalidade dos anos 40, teve que entrar em espetaculares diálogos com o personagem Falcão (super-herói negro, com sua origem suburbana, morador do Harlen, conhecido bairro carente da grande maçã), aprendendo mais sobre a realidade americana tão diferente de seu idealizado passado. “Capitão, os tempos são outros...”, diziam seus colegas super-heróis. É fato dizer que o personagem manteve uma postura mais humilde, trabalhando como desenhista free-lance para revistas e jornais, ganhando pouco, muito diferente do mesmo personagem que nos anos 40 era protegido pelo exército.

Negou uma proposta de candidatura a presidência nos anos 80 e enfrentou ainda mais problemas internos de uma minoria americana, sendo que foi nessa fase, junto a seu companheiro Falcão, que o Capitão defendeu os direitos civis, como a igualdade étnica e respeito à homossexualidade (tenho as revistas que comprovam isso, pseudo-intelectuais que estão duvidando). Após isso veio uma fase mais branda, nos anos 90, que tentou dar um ar mais “americanóide” ao personagem, mas foi pessimamente recebido pelos leitores, comprovando que o Capitão América “imperialista” não fazia mais parte dessa realidade histórica. Voltando, na segunda metade dessa década, a ser o personagem mais próximo da política interna americana. A queda das Torres Gêmeas jogou o personagem contra o Terrorismo, mas também o fez pensar o modo em que seu país estava agindo, criticando-o.

Assim, o Capitão América foi, sem dúvida, totalmente contrário ao modo tradicional de se pensar seu papel como garoto-propaganda do imperialismo americano. Recentemente, o personagem se envolveu numa briga medonha contra seu governo, sendo acusado de traição e perseguido pelo exército e por alguns companheiros de outrora. Tudo para defender a liberdade individual e demonstrar um desgosto ao governo vigente, pois os Estados Unidos (no mundo ficcional da Marvel) obrigou por lei federal que os Super-Heróis sejam agentes do governo. O Capitão se posicionou contra. O desfecho da polêmica história é a sua morte, assassinado pelo mesmo país que veste em seu uniforme.

O “achismo” não serve de nada para pesquisadores em História, pois apenas mantém o freio pisado quando falamos de avanço intelectual. Ou seja, definir as coisas sem conhecer é extrema burrice. Como disse Chico Castro Jr, em matéria ao jornal A TARDE de 4 de agosto, contextualizar é preciso. E conhecer aquilo que se critica, mais ainda”. Tenho dito.


Excelsior, Sávio Roz

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Escolas clássicas de armas do Japão




O Arquipélago japonês possui uma longa história com a marcialidade, por conta, principalmente, de sua relação histórica e sócio-econômica com a China. Vários elementos culturais chineses eram importados ao Japão e, então, compatilibizado e reestruturado à sua sociedade e política. O xamanismo tradicional do Japão e o budismo trazido da China foram suas principais bases filosóficas aos seus sistemas de luta.
Desde o século XII, com uma elevada relação diplomática com a China, seu mundo social e econômico foram reflexos reelaborados de suas necessidades. Nos séculos seguintes, o Japão foi um mundo em constante guerra, batalhas entre chefes militares locais chamados Daimios. Uma nação tão mergulhada em pequenos conflitos regionais se moldaria uma nação de guerreiros especializados. Essa especialização também foi aprendida dos moldes chineses, mas nas terras nipônicas ganhou uma singularidade sem igual.
O complexo conhecimento sobre sistemas de luta no Japão ganhou o nome de Bujutsu, ou “virtudes marciais”. Sua figura central é o Bushi, literalmente “guerreiro”, e este assimilava conhecimentos sobre armas de diversas naturezas e combates desarmados. Quando o Bushi se especializada e concentrava seus serviços a um senhor local, isso a partir do século XII, ganhava o nome de Samurai, do antigo japonês saburai, “aquele que serve”.
Com sua origem ligada à guerra e combate entre indivíduos, o Bujutsu tem em sua base de idealização a morte de seu adversário. O treinamento e as suas técnicas eram rigorosos e direcionados a essa meta. Mas através dos conceitos do Budismo esotérico, concepção de elementos chineses como o Yin e o Yang e os cinco elementos tradicionais, a conduta do Samurai não limitava seus estudos apenas à marcialidade. Era preciso também, além das habilidades com o Arco, a espada, a lança e outras armas, o conhecimento sobre música e a cerimônia do chá, adaptações ocorridas após o extenso período de guerras na unificação do Japão pelo shogunato de Tokugawa.
O Budismo Zen, compatibilização japonesa do budismo Chan, do mestre Bodhidarma, influenciou, a todo momento, as mudanças ocorridas no pensamento social desde o homem do campo até a elite samuraica. A “espada e o Zen” caminharam juntos, formando um novo tipo de pensamento que encontrou seu ápice no século XVII, no período denominado Edo, por conta da nova localização da capital do poder central, entre 1603 a 1867. O Bujutsu perderá a expressão “habilidade, arte” de seu nome e tornar-se-á Budô, o “caminho da marcialidade”. A idéia de Dô será oriunda do conhecido Tao dos chineses, energia universal formadura das coisas.
Dessa maneira, as artes marciais, inicialmente as japonesas, passarão por uma importante transformação. Após um turbulento período de guerras e conflitos, o clã Tokugawa assume a liderança do país, reduzindo o poder dos Daimios e trazendo um período de paz que possibilitou a dedicação às artes refinadas, principalmente para a classe guerreira. O conhecimento de arranjos florais, da cerimônia do chá e da caligrafia se fizeram importantes da formação do homem japonês. Da mesma maneiras, sutilezas espirituais ganharam espaço no mundo simbólico das artes marciais. O Budô, escrito com os mesmos caracteres chineses de “parar duas lanças”, incorporaria concepções pacifistas. Na passagens dos séculos XVII para o XVII, era cada vez mais comum o uso de espadas de madeiras, feitas com pesados carvalhos, para serem utilizadas nos treinos, evitando acidentes entre os praticantes. Entre o século XVIII e XIX, a Boken, essa espada de madeira bruta, seria ainda substituída pela Shinai, uma arrumação de bambu específica para combates menos danosos. A arte do espadachim deixará, então, de ser um meio de sobrevivência para se tornar um caminho de iluminação espiritual. A desmilitarização do período Edo dará forças a essas mudanças, nascendo dois outros processos nos sistemas de luta: a especialização e a competição. É de grande dificuldade dizer onde as mudanças nos sistemas de luta são reflexões das mudanças sociais no momento histórico.
A restauração Meiji acarreta em novas mudanças nos sistemas de luta, armados e desarmados, do Japão, em 1867. Líderes militares do Japão perceberão atrasos militares e tecnológico de suas forças, deixando o Japão abaixo do nível de poder das outras nações. Entre as reformas do imperador Meiji, as que mais se destacam enquanto significativas para a vida do guerreiro são o desarmamento dos Samurais, que causou revoltas e insurreições, e a criação de uma força policial nacional que ocupou o antigo papel da casta guerreira.
Até o século XIX o Japão conhecia sistemas de lutas de agarramento, lançamentos e chaves chamados Ju-Jutsu, que posteriormente chamar-se-ão Jiu-Jitsu. Um estudioso da marcialidade, Kano Jigori, assimilou valores culturais, compatibilizou com a educação vigente do período e em 1882 criou o Judô. Suas raízes estão no Ju-Jutsu, mas seu sentido muda de um sistema de uso para o combate bélico para o combate espiritual, acrescentando o “caminho” a sua nomenclatura. Seu currículo de técnicas e métodos foi denominado Kodokan Judô. Da mesma forma ocorreu com o sistema de luta japonês que utiliza técnicas de chave através de movimentos circulares estudados minuciosamente, o Aiki-ju-jutsu. Com o passar do tempo, e as nuances sociais envolvidas na desmilitarização de uma classe guerreira, assimilou o conceito de “caminho” e tornou-se o que conhecemos por Aikidô. Foi na busca de benefícios sociais que Ueshiba Morihei formulou o Aikidô como uma arte marcial suave, porém poderosa de contra-ataques.
Enfim, muitas artes marciais acabaram ganhando suas versões espiritualizadas, concentradas em conceitos filosóficos necessários para a construção de um homem marcial equilibrado. Essa tendência ocorreu de forma inversa na China, mas no fim das contas essas estruturas marciais encontraram semelhanças. E foram esses os novos caminhos das artes marciais até os dias de hoje.

Sávio Roz

Artes suaves da China



As tradições Shaolin, sistema duro ou chamado externo, galgado na filosofia budista foi criado como uma saída rápida aos conflitos bélicos com os mongóis que os chineses enfrentavam. Alguns estudiosos da marcialidade demonstram em tradições orais a antiguidade do sistema interno, ou suave, de luta, muito mais antigo que o sistema de luta interno.
As semelhanças entre os sistemas comprovam as relações profundas que possuem, sejam como nascido um do outro ou mesmo como inter-relação de troca de conhecimentos. Isso apresenta-se no uso das formas e posturas de animais e no uso de simbolismos e outros elementos. As artes suaves da China, o sistema interno, têm uma relação ainda mais profunda com o mundo natural. A noção dos cinco elementos naturais, conceito taoista. As raízes desse pensamentos, da filosofia chinesa, estão no naturalismo xamânico, da pré-história da humanidade. Esse vínculo místico entre homem e natureza é reflexo da vida dessas comunidades de caçadores e coletores da China neolítica. A dependência natural exigia uma intimidade profunda com o mundo em sua volta.
Assim, entendemos o taoísmo como o homem no seu contexto com o mundo natural, como faremos com o confucionismo gerando um homem em plena relação com a ordem social. Embora o Tao Te Ching surja como livro fundamental na visão de mundo taoista, as idéias são muito mais antigas, provavelmente uma tradição oral comum a civilização chinesa em desenvolvimento. Na idéia de formação do universo dos gregos, a ordem é gerada de um mar infinito de caos, mas, no caso chinês, esse universo é regido por uma força intrínseca, além da existência e além da não-existência, chamada Tao. A força Tao, grosseiramente traduzida como caminho ou via, se manifestará nas coisas do mundo através da energia vivaz do Chi. O Chi irá então dividir o universo em dois caminhos, duas oposições, mas que não se negam, se completam, formando a o plural e complexo universo. Assim teremos luz e trevas, calor e frio, rigidez e maleabilidade, forças unidas para gerir a existência das coisas. Assim, nasce a idéia de Yin e Yang.
Os cinco elementos, através das forças Ying e Yang, irão se combinar diversas vezes e de diversas maneiras, de maneira dinâmica, para obter-se o mundo natural. Terra, água, fogo, metal e madeiras irão nascer uns dos outros, e, ao mesmo tempo, serem destruídos pelo anterior. Não é de se surpreender a idéia de que o taoista chinês muitas vezes vivesse como um eremita. O contato da natureza era necessário para a compreensão desses conceitos complexos. Era necessário um rigoroso estudo empírico do mundo natural.
Basicamente, teremos três artes suaves: Hsing-I, Pa-kuá e T´ai Chi Chuan. Seus nomes, ou melhor, as traduções dos ideogramas que compõem seus nomes, irão explanar seus modos de pensar. O Hsing-I trabalha com o uso da tradução racional das formas, por isso seus ideogramas juntam a concepção de “forma” com a transcrição do que se pensaria enquanto “intenção – idéia – mente”. Não muito complicado de se entender, essa arte utiliza-se de movimentos “pensados” e, assim como nas artes baseadas em movimentos de animais, entender esses movimentos para melhor aplica-los, melhor assimilar vantagens deles. O Pa-Kuá é a arte marcial do sistema de adivinhação tradicional chinês, o I-Ching. Essa compilação de conhecimentos esotéricos é utilizada como estudo energético do Chi, seja para fins de saúde, busca de riqueza, melhoria de vida, bons fluidos, etc. O Pa-Kuá irá trabalhar também a idéia de manipulação da energia Chi com os oito diagramas do I-Ching, por isso seu nome.
Por fim, teremos o T´ai Chi Chuan, considerado o sistema de luta mais praticado do mundo, utilizando-se de movimentos suaves, recorrentes da concepção de controle e manipulação da energia Chi do indivíduo. A arte marcial do ceder, será assimilada pelos Okinawanos enquanto conceito para a formulação do que chamaremos de Karate. Os conhecimentos dos Pontos vitais, para os sitemas suaves de luta da china, serão explicados, da mesma forma, com a idéia de manipulação da energia vital, o Chi.

Sávio Roz