sábado, 17 de setembro de 2011

Quadrinhos, História e Academia


Maratona de Eventos sobre Quadrinhos dentro da Academia

Pode-se dizer que o ano de 2011 provou ser um certo divisor de águas quando o assunto é quadrinhos inseridos nos espaços acadêmicos. O tempo mostrou que grandes pesquisadores de áreas como Letras, Comunicação e Artes se empenharam por anos a fio para que a fonte/objeto quadrinhos adentrasse esse mundo tão rígido.

Essa flexibilidade não foi rápida, podemos encontrar a obra Shazam como um marco, ao apostar seriedade e respeitabilidade com um produto de mercado (evito o termo "massa", por sua fragilidade conceitual) e sua importância cultural no século XX. Depois disso, o produto ganhou destaque em diversos estudos em áreas mais propícias a sua aceitação. Nomes como Waldomiro Wergueiro, Paulo Ramos, Sonia Luyten, sempre estiveram presentes em batalhas dentro dos espaços acadêmicos e geraram uma utilíssima produção textual para os trabalham que estavam por vir.

Timidamente a História, enquanto campo científico, permitiu a introdução limitada desse meio de comunicação, abraçando trabalhos sobre produções mais "históricas", em folhetins e jornais entre os séculos XVIII e XIX. Depois se percebeu o quanto que esse meio poderia fornecer de informações, mas ainda havia uma rusga demasiada que o menosprezava e quando fazia a leitura era em superficialidade. Sem se ater a aprofundações em citações, faço aqui um salto até o ano atual, 2011.

Esforços fundamentaram entre 29 e 31 de julho na cidade universitária da Universidade Federal de Pernambuco, no Centro de Convenções da mesma, o primeiro Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos. Uma iniciativa do Núcleo de Pesquisa Sociedade, Cultura e Comunicação, que tem vínculo com o Programa de Pós-Graduação em Sociologia, em parceria com o Laboratório da Cidade e do Contemporâneo, Ciências Sociais, além do Núcleo de pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas, o evento contou com várias importantes Participações.

A agradabilissima abertura foi pela sorridente Doutora Sonia Luyten, além de seu tradicional conhecimento sobre a produção de quadrinhos japoneses, dialogou sobre novas formas e elementos culturais. O seguir do evento contou com diversas mesas redondas e trabalhos que prezaram pela qualidade. Faço aqui, então, a ressalva de que foram várias experimentações teóricas e metodológicas em diversas áreas científicas. Obviamente essa conduta apresentou alguns detalhes que poderiam acusar um amadorismo científico, mas na verdade se trata de uma vivência ainda em fase de experimentação de instrumentos e procedimentos comuns a outros objetos.

Os profissionais mais íntimos com esse objeto/fonte, como Waldomiro Wergueiros, Paulo Ramos, Nobu Chinen, Natania Nogueira, entre outros, foram cruciais para representar os esforços dos estudos no espaço temático, são referenciais para os grupos menos experientes que lá puderam por em prática seus conhecimentos. Entre leituras outrora distantes, o evento possibilitou além da amistosidade entre pesquisadores, uma sensação de realidade vivida quando os nomes mais importantes na produção científica no Brasil surgem de carne, osso e sorriso para todos.

Acima de tudo, foi um encontro de pares, de pessoas com afinidades em seus objetos e temas, mas, também, com empenho acadêmico sério e de qualidade. Para muitos, como foi o meu caso, um primeiro encontro com esse universo de "iguais", uma força que alimentou a vontade para o evento seguinte. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas na página: http://encontrohq.blogspot.com/ , inclusive com os trabalhos presentes nas mesas redondas e seus respectivos autores.

As Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos foram uma aposta entre professores empenhados, da Escola de Comunicação e Artes, do departamento de letras e, acredito mais, das vontades dos grandes nomes envolvidos. Ocorrido entre os dias 23 e 26 de agosto, na Escola de Comunicação da USP, o evento trouxe atrações internacionais e abarcou uma generosa quantidade de trabalhos em forma de artigos que lotaram as salas. Os trabalhos, as salas e os nomes presentes podem ser vistos em: http://www.jornadasinternacionais.com.br/ onde também se encontram links interessantes. Texto autorizado ao site Quadro a Quadro http://quadro-a-quadro.blog.br/ , feito por mim:

Quadrinhos na seriedade acadêmica

Começo, aqui, nestas linhas, as minhas concepções pessoais do que já acredito ter sido uma experiência acadêmica e pessoal sem igual. Obviamente haverão, no que escrevo, colocações muito pessoais diante de meu já bem estabelecido foco de atenção dentro de minhas produções e reflexões históricas e acredito que mesmo com essa pessoalidade assumida conseguirei entrar em acordos com muitos leitores que estiveram nas Primeiras Jornadas Internacionais de História em Quadrinhos ocorrida entre 23 e 26 de agosto de 2011 na Escola de Comunicação e Artes da USP.

Antes de iniciar minhas colocações, devo primeiro me posicionar enquanto pesquisador e pensar o espaço histórico em que estamos, todos os participantes, expectadores e produtores, inseridos. Não aprofundarei sobre pioneirismos ocorridos no passado, os trabalhos de Sônia Bibe Luyten, Selma Martins, Laura Vazquez, Patrícia Borges, os autores dos textos da antológica SHAZAM ou mesmo os tantos profissionais que escreveram trabalhos referenciais no meio. Pelas poucas conversas, todos os participantes tiveram o contato textual com esse povo pioneiro antes do evento.

Aqui, acredito, se faz necessário entender os pormenores que permitiram a empreitada não menos batalhada. A atualidade assistiu o preconceito aos quadrinhos dar lugar ao fascínio mesmo não admitido. A academia está curiosa, em parte por que grandes profissionais, como são os organizadores do evento, que tanto lutaram para romper essas barreiras temáticas no ringue da Comunicação, mas que gerou grandes batalhas em outros tabuleiros.

Talvez o cinema tenha sua parcela de culpa, alcançando um status que perfurou a muralha de preconceito, mesmo que no espaço do entretenimento. O mercado logo percebeu que livros com o tema, fundamentalmente acadêmicos e científicos, seriam logo bem recebidos pelo público. O que antes era uma tendência íntima de seus consumidores, logo tornou-se uma coqueluche “cult” não só respeitada como desejada. Nós, quadrinhistas e quadrinhófilos, nos tornamos rapidamente celebridades. O universo dos quadrinhos (assim como outras tendências antes restritas, como RPG, jogos eletrônicos, etc) logo tornou-se uma mitologia curiosa para acadêmicos e o público em geral.

O começo, para mim, se deu no evento de Recife. No primeiro Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos, ocorrido na UFPE em julho, experimentei essa troca de informações e contatos. Vi, de carne e osso, que existem pessoas que, como eu, refletem sobre os quadrinhos que tantos entretém. Um ensaio do que seria esperado na USP, uma saída, no meu caso, dos espaços estranhados dos eventos de História e seus olhares desconfiados aos meus escritos em todos esses anos.

Movimentados, alegremente, os corredores do segundo andar do prédio principal da ECA comportaram por 3 dias uma generosa quantidade de trabalhos vindos de várias partes do país e além. Diversas mesas aglomeraram médias de 4 comunicações de artigos produzidos por diversos profissionais, de diversas áreas, sobre diversas perspectivas. Talvez alguns ainda estejam ponderando sobre essa pluralidade e diversidade. Uma amplitude permitida pela interdisciplinaridade do objeto ou fonte “quadrinhos”.

Temas interessantes se espalhavam de tal forma que causavam titubeios na hora de escolher em que sala entrar e o que assistir. Em diálogos rápidos com vários participantes, dei-me conta de que não era uma tarefa fácil e que muitas vezes exigiu o sacrifício de deixar passar uma apresentação para caçar, nas salas, alguma de interesse pessoal. Eu mesmo marquei a programação com lápis circulando as apresentações de meu interesse, entre choques de horários e escolhas, pude assistir muitas, de amigos, colegas e com temas interessantíssimos.

História, literatura, educação, artes, tudo se entrelaçou em trabalhos e contemplaram nos fins dos dias com mesas redondas sortidas e bem compostas. Mais uma vez pude ver a tranqüilidade sorridente de Sônia Bibe Luyten em sua árdua tarefa de nos acalmar diante do novo. Mesmo dentro de seu espaço, não deixou de transparecer o fascínio pelo novo que tanto desponta nos meios de consumo dos quadrinhos, especialmente pelas inovações técnicas e o uso da Internet.

Juan Sasturain e Laura Vazquez expuseram um mundo conhecido por alguns e nem por isso menos interessante, já que se tratava de uma visão de seus mais próximos. Universos culturais distintos, mesmo que próximos, fizeram a reflexão aprofundar-se sobre mercado e consumo de maneira mais íntima, observando suas vivências. Logo trabalhos como o de Pablo Turnês, Laura Cristina Fernandez e Sebastian Gago ajudaram a encurtar os laços e até mesmo a abafar uma solidão continental já fraquejada desde o primeiro dia.

O leitor, então, deve sentir um certo desestímulo em citações de nomes e elogios, uma talvez rasgação de seda no que escrevo. Não há como escapar de uma felicidade confessa de encontrar pessoas e trabalhos de respeito e qualidade. É um belo “caminho do meio”, onde continuo meus esforços em saber das qualidades dos meus escritos e no quanto que ainda preciso amadurecer ao ver trabalhos mais elaborados e precisos. Se havia alguma impureza de dúvida sobre essa batalha de estudar e produzir pesquisa sobre quadrinhos no meu espaço, caiu por terra.

Obviamente não vi todos os trabalhos, por mais que provavelmente eu venha a sair em boa parte das fotos, já que pulei de sala em sala durante os dias do evento e seus horários. O professor Denis (que ficou famoso pela audaciosa performance fotográfica) flagrou essa maratona seletiva. Minha seleção começou com os temas que mais me interessaram e seguiu para apresentações imperdíveis pelas relações pessoais que venho produzindo com colegas e amigos, como foram os casos de Adalton Santos da Silva, Gêisa Fernandes, Fábio Tavares, Erivan Coqueiro e Aline de Castro Lemos. Tendo perdido com pesar as apresentações de João Senna, Lucas de Souza Medeiros, Thiago Monteiro Bernardo e Márcio dos Santos Rodrigues.

Pude discutir assuntos diversos que envolvem a produção plural dos quadrinhos nas diversas configurações culturais e sociais que foram debruçadas em artigos sobre fumetti, comics, manga, etc. De análises de discursos, seus avanços e limitações, das concepções psicanalistas e de Representação social, dos estudos de linguagens aos diálogos entre campos científicos. Pude, por exemplo, dialogar minhas reflexões no meu artigo sobre cidades fictícias com o trabalho de Soraya Mattos e seu estudo sobre estilos arquitetônicos.

Perguntado por uma pesquisadora que produzia um trabalho de conclusão de curso sobre as tiras rápidas e a Internet do que pude tirar de conclusão do evento, respondi sem pestanejar do quanto que o encontro é fundamental para a troca de conhecimentos e impulso para adentrar ainda mais nessa empreitada acadêmica ainda rica de informações aos diversos campos científicos. Gêisa mesmo semeou um ponderar sobre construções de teorias e métodos próprios para o objeto e fonte em questão.

E o fim de cada dia não deixava espaço para o cansaço, já que boa parte dos participantes estavam interessadíssimos às atrações nas mesas redondas. Além de Sônia, Selma Martins, Juan e Laura no dia 24, outros autores foram prestigiados. Educação e Pesquisa foram destaques no dia 25, com Héctor Fernandez, Eduardo Calil, Elydio dos Santos e Márcia Mendonça. E o dia 26 encerrou-se com risos e aplausos contentes, quase num alívio de findar, mas deixando uma boa sensação de missão cumprida, com as falas dos autores de Shazam.

Entre diversos discursos sobre objetos numerosos, campos científicos variados e uma pluralidade de leituras, estão os tantos amigos feitos, pessoas reencontradas e planos gerados. Como serão os próximos eventos correspondentes não temos como supor, mas uma coisa é certeza: os esforços serão sempre a altura do menosprezo que as academias ainda manifestam aos quadrinhos como objeto e fonte de pesquisa para leitura de nossa realidade recente. Mas a luta continua.

Sávio Queiroz Lima

Historiador



P.S.: Faço meu pedido de desculpas aos amigos e colegas não citados. Ainda estou me recuperando dessa maratona... então as forças me limitaram a memória...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

QUADRINHOS PELOS OLHOS DOS BAIANOS

Material disponibilizado na página do IRDEB. Programa apresentado na rede de televisão TVE na Bahia.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

24 Horas de Quadrinhos BAHIA 2009


Mais uma vez os grandes se reunem para mais uma grande proeza! O 24 Horas de Quadrinhos - Bahia destacou-se pela presteza e pela ardua luta! Foi diversão garantida desde os primeiro segundos até o derradeiro Grand Finalle que parecia não ter tirado o ânimo (mas que desgastou as forças físicas e mentais, ah, sim, desgastou!)!!
Com a liderança da loja especializada RV Quadrinhos, o 24 Horas de 2009 foi sucesso garantido! Muitos amigos se reencontraram para queimar papél com lápis e canetas quentes... produzindo o que tem de melhor em suas vontades! Foram diversos quadrinhos, lidos e agraciados, onde todos se divertiram muito com total respeito e amizade! Esse ano foi ainda melhor: Todos os bons unidos e os maus afastados! Mas teve atividade, também, pra quem não quis participar ativamente do processo! Com clareza, muita gente foi sabendo o que encontraria... Mas foi também descobrir o novo, com tantos nomes novos e a organização mais bem elaborada e consciente.
A Bahia faz quadrinhos, sim, senhor! Claro que não é o tal "mercado" que muitos querem forçar a existir, mas é a cultura. A Cultura quadrinhos existe além dos fanzines, existe além das pequenas pretensões ou dos grandes sonhos! Existe na labuta!

(Ok, ok... Estou bem atrasado! Mas foram as lutas para o mestrado e os projetos... Houveram alguns ferimentos, vilões, venenos terríveis e crises universais... Mas estamos de volta às atividades)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Maratona Bienal!

RV QUADRINHOS NA BIENAL DO LIVRO BAHIA 2009! EU, VOCÊ... ATÉ OS SKRULLS... LÁ!!!!

Funcionária da Bienal
Larissa "Diana" Prince!


Trabalho árduo que os heróis da RV Quadrinhos tiveram, desde o primeiro dia, montando o stand até o encerramento das atividades! Tudo a 20 e 25% de descontos! Se deu bem que soube aproveitar! Além de ser o centro cultural dos quadrinhistas, quadrinhófilos, quadrinhólatras e quadrinheiros!Vendedores e Compradores unidos num só sonho!

A loja me alistou e foi muito bom ver material de qualidade exposto para atender os caçadores dos quadrinhos perdidos! Encadernações diversas que não só encatavam os olhos dos compradores como também estavam refletidas nos desejos doa vendedores! No fim das contas o cansaço foi tão regado em alegrias que a exaustão não foi em momento algum uma maldição e sim uma benção!

A Bienal não seguiu, em sua totalidade, com a qualidade que, modéstia à parte, a loja RV levou para o evento. Muitos stands mantinham os preços habituais, mesmo, aparentemente, que tenham pego em grande quantidade e recebido decréscimos das editoras. A chuva destruiu um stand ao nosso lado, para medo geral! Mas os Deuses de Asgard garantiram que o sucesso estivesse rasgando o céu e iluminando aqueles que labutavam com honra e dignidade!

Um larápio aqui, uma bizarra falta de luz ali (acusaram até mesmo o nosso secretário de cultura de ter mordido o fio, mas esse boato não ganhou forças), a Bienal seguiu com seus inexplicáveis e estranhos objetivos.

As palestras foram, no fim das contas, o carro chefe do evento. Completando-se com gafes divertidas dos organizadores, trocando profissões dos entrevistados e rasgando uma seda tão demasiada que causava desconforto em se ouvir por mais de 1 minuto.

Claro, vou puxar a sardinha para os Historiadores... E dizer que a presença da graciosíssima (lindíssima, ai, coração) Mary Del Priore abrilhantou o evento (e olha que eu falei de rasgação de seda lá em cima). Acompanhada pelo grande Luis Henrique Dias Tavares, que alimentou aqueles famintos de conhecimentos dentro de seus limites de tempo, a palestra mostrou-se a que melhor me atendeu. Ajudado por minha parceira (amiga do coração) Robin!!!

Depois de ouvirmos atentamente o posicionamento de cada palestrante sobre o tema: Seria a História uma Invenção?, chegamos à conclusão que seguimos o caminho correto e nutrimos forças para teorias importantes, não só para formar o sério historiador, como para lapidar o sensível pesquisador e educador. Num momento estratégico, eu e Robin (Catarina) puxamos a brasa para nossas sardinhas, perguntando aos dois Historiadores suas opiniões sobre nossas fontes e temas de pesquisas: Quadrinhos e Oralidade! Nos tornamos focos de interesse e empolgação!

No fim, tentei correr para pegar um autógrafo do Luis Henrique Dias Tavares em meu livro História da Bahia, mas o velho pesquisador pouco se interessou por minha figura magricela e buscou sair logo daquele salão. Sua esposa (ou acredito que era) me falou que ele ficava um pouco aborrecida com aglomerações. Então vou torcer para conseguir numa próxima vez.

Mary Del Priore conversou de igual para igual comigo, com Robin e com um rapaz de geografia. Uma conversa que valeu por muitas outras que tivemos com pretensos historiadores. Uma conversa onde cada frase curta conseguiu expor horas de reflexão. A doutora é fenomenal com a reflexão e com as palavras. Até Jorge Portugal se juntou a nossa patota e o papo fluiu tão agradavelmente que se tivesse sido filmado seria um documentário despretensioso de Historicidades!

Muitos guerreiros reunidos, o labor seguiu a contento! Amigos surgiam aos montes, com suas cores e capas, diversas idades e vontades! Claro que os vilões não tardaram a aparecer, com suas intenções malígnas! Logo ficou claro que o terreno era deveras perigoso... Pois a IMA havia montado um Stand e preparava-se para capturar o Capitão América! Mas a LIGA dos VINGADORES do Professor Xavier estava preparada!!!


UMA CERTEZA: A Invasão Secreta Acontece na BAHIA!!!
Os SKRULLs estavam em todos os Lugares! Inclusive tentando sabotar a Loja!!!!O que a IMA fazia no evento? Quais planos nefastos ela elaborou e concluiu?
Agora sabemos a origem da fortuna WAYNE!!!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

TCC - História Cultural dos Quadrinhos


Dia 23 de Dezembro, às 18 horas, na sala 50 do campus Federação da Universidade Católica do Salvador, apresentarei o trabalho de conclusão de curso que venho elaborando desde o quarto semestre. É uma curta apresentação, ou melhor, a defesa de uma tese sobre o papel cultural do gênero "Super-herói" dentro da mídia quadrinhos e de seu inserimento no espaço do entretenimento e do mercado.

O trabalho tem por objetivo aprofundar os conhecimentos sobre a mídia da arte sequencial que no Brasil conhecemos como Histórias em Quadrinhos. A minúcia diante da construção desse meio de comunicação, seja no aparato técnico de sua produção, como a relação entre leitura textual e leitura icônica, seja na elaboração de seu mercado expressivamente no século XX é fundamental para a compreensão histórica, filosófica e cultural desse universo particular.

A compreensão da literatura inglesa e norte-americana, assim como os avanços nos conhecimentos científicos, são de suma importância para se entender o nascimento do gênero Super-herói dentro da história dos Quadrinhos. O foco principal do trabalho está, esclarecidamente, no surgimento dessa mitologia contemporânea na história dos quadrinhos e na história da mentalidade dos Estados Unidos. A investigação detalhada dos elementos presentes nos quadrinhos, seus personagens e suas narrativas, sobre o papel de instrumento de manipulação de massas e sua relação com o mundo social que pousa enquanto contexto histórico faz parte das pretensões deste trabalho.

São apresentadas as convenções históricas que os gêneros nos quadrinhos traçou ao longo de seu centenário enquanto mídia popular contemporânea. O berço literário, artístico e editorial dos Quadrinhos é trabalhado para a compreensão das mudanças que ocorreram, na definição do que é charge, do que é caricatura e a importância que esses elementos gráficos tiveram na imprensa no final do século XIX e o nascimento das tiras cômicas e dos quadrinhos de aventura do começo do século XX. A construção do gênero Super-herói encontra sua origem na literatura pulp tão popular aos americanos no começo do século XX e sua participação propagandista na Segunda Guerra Mundial. O sucesso mercadológico do gênero Super-herói é tamanho que sua permanência no topo das vendas e produções ultrapassa as décadas como um mercado em progressiva evolução.

Sua passagem pelo período de Guerra Fria, sua vivência na vida internacional, citadina e urbana são as características importantes das construções das mitologias que orbitam seus personagens. Tanto questões de gênero são fundamentadas em turbulentos períodos, como questões étnicas que chocam com posicionamentos políticos e até mesmo a reflexão de mudanças no pensamento político da sociedade norte americana e, de acordo com a extensão do mercado, mundial estão presentes com deveras intimidade no universo mitológico dos Super-heróis.

Por fim, o interesse fundamental deste trabalho é compreender as questões supracitadas diante de um aprofundamento teórico e metodológico diante do documento quadrinho, ou seja, diante das obras produzidas contextualizadas com seus momentos históricos e trazendo à tona a representação cultural e social que os quadrinhos de Super-heróis nutrem a historiografia contemporânea.


Universidade Católica do Salvador - Dia 23 de dezembro de 2008, Sala 50 - 18 horas.

domingo, 16 de novembro de 2008

Exposição IMAGEM EM 5 QUADRINHOS


Aconteceu entre os dias 31 de outubro e 16 novembro a exposição IMAGEM EM 5 QUADRINHOS promovida pela Funceb, Fundação Cultural do Estado da Bahia, na Galeria do Espaço Xisto Bahia (localizada na Rua General Labatut, número 27, Barris). É um evento integrado ao XII Festival Nacional Imagem em 5 Minutos, e para ter um vínculo simbólico a produção de quadrinhos deveria respeitar o limite de 5 quadros e a temática e o material foram livres. Houveram, também, trabalhos de cartoon e charge de apenas uma imagem sobre animação (em computador, televisor, cinema, etc).
A exposição não teve como finalidade a premiação de nenhuma natureza, tendo, somente, uma comissão julgadora que avaliaria os trabalhos entregues para a seleção dos que fariam parte do evento. Uma prorrogação do prazo de inscrição demonstrou que o evento tinha mais a oferecer, sendo muito bem aproveitada por novos artistas no território soteropolitano. O evento foi promovido na parceria da diretoria de Artes Visuais da FUNCEB e o grupo Oficina HQ
Artistas antigos e novos, a página da FUNCEB lista os nomes dos participantes:
Alam da Silva Sampaio (A S), Alexandro Trindade, Alexandre da Costa Cabral (Aleco), Cícero Matos Oliveira (Cmatos), Diego de Jesus Cardoso, Edmundo Luiz Silva Simas, Elton Carlos Ribeiro de Almeida, Emanoel Arnoldo Meireles Caria, Marcelo Nepomuceno Pereira (Lelo Nepomuski), Marcos Mário de Souza Santos, Marilton Rodrigues, Matheus Cerqueira (Theu Cerqueira), Paulo Roberto M. Serra, Sávio Roz, Rodrigo Minêu e Ulisses Pires Almeida. Diversos trabalhos e diversas temáticas, a qualidade oscilava ao gosto dos apreciadores e atendia aos interesses de informação de seus criadores.
Produzi 5 trabalhos sendo que 4 passaram na avaliação da comissão: Um sobre guerreiros medrosos e corajosos, um sobre um universo sobrenatural, um com parceria com Alan Nascimento chamado Anjos em Queda Livre e um sonho erótico de uma menina pequena que cresce e posa despida no Elevador Lacerda. Uma satisfação ver meus trabalhos expostos e mais ainda de ver os olhares curiosos e os risos de alegria ao fim de cada história. Outras histórias foram marcantes, como são os casos do divertidíssimo Tonho, O Pescador, a história lindamente pintada Vaquejada, a muito bela e singela Viagem e uma crítica sequencia de um menino de rua, entre tantos outros trabalhos. Tentei pegar algumas dessas obras com o celular, mas a qualidade da camera não permitiu perfeição, mas exponho-as aqui.










Ainda preciso confirmar se a quantidade generosa de visitantes pode possibilitar o retorno da exposição, o que seria muito proveitoso. Espero que outros eventos semelhantes, com ou sem premiação, possibilitando visibilidade para os quadrinhos e os artistas regionais, existam nos planos de organizações de igual natureza. Parabenizo o trabalho da Oficina HQ na iniciativa!

SR

http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/noticias/2008/10outubro/2008-10-28_quadrinho.html

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

COMEÇOU!

Galeria Xisto Bahia expõe quadrinhos e cartuns

A exposição Imagem em 5 Quadrinhos será inaugurada no dia 30 deste mês, às 19h, na Galeria Xisto Bahia. Pela primeira vez, uma mostra do gênero integra a programação do XII Festival Nacional Imagem em 5 Minutos, que acontece de 10 a 15 de novembro nas Salas Walter da Silveira e Alexandre Robatto. O Festival é promovido pela Diretoria de Audiovisual – DIMAS, Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – IRDEB e Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, unidades da Secretaria da Cultura.

A exposição é coletiva, apresentando trabalhos selecionados por uma comissão especializada, indicada pela Diretoria de Artes Visuais da FUNCEB. Serão expostas ao público duas modalidades: seqüências de cinco quadrinhos com temática livre, e cartum - imagem única, com tema ligado ao festival (vídeo, televisão, cinema, monitor de computador, games ou imagem e, movimento).

A exposição Imagem em 5 Quadrinhos foi concebida tendo como ponto de partida as aproximações entre a arte sequencial e a imagem em movimento do cinema, do vídeo e, mais recentemente, da imagem digital e dos games computadorizados. A mostra, realizada a partir da parceria entre a Diretoria de Artes Visuais da FUNCEB e a Oficina HQ, exibe a produção de jovens artistas, cujo humor comenta criticamente a influência, a magia e a presença da imagem em movimento no cotidiano.

Cartum x Quadrinhos

O Cartum e as Histórias em Quadrinhos são duas formas de expressão gráfica que se desenvolveram com os avanços tecnológicos surgidos a partir do final do século XIX, os quais favoreceram o posterior desenvolvimento das indústrias do disco, do rádio, do cinema, da televisão e possibilitaram o nascimento de jornais de grandes tiragens com a novidade do uso de cores.

Foi assim que surgiram as Histórias em Quadrinhos (HQ) da forma como conhecemos hoje, por intermédio dos suplementos dominicais ilustrados da imprensa norte-americana, fenômeno retumbante de sucesso e popularidade que se desenvolveu ao alongo do século XX juntamente com o cinema e o jazz, nascidos ao mesmo tempo que as HQ.


Serviço:

O quê: Exposição Imagens em 5 Quadrinhos
Onde: Galeria Xisto Bahia – Rua General Labatut, 27 Barris (71) 3103-4065
Quando: abertura 30/10, 19h; visitação de 31/10 a 16/11, seg a sext das 9h às 21h, sáb, dom e feriados, das 16h às 21h
Quanto: Grátis
Realização: FUNCEB/ Oficina HQ